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  • Alberto Heller

Sobre a arte gráfica da ópera Frankenstein



A identidade visual da ópera-rock FRANKENSTEIN foi desenvolvida pelo artista

Celso Silva da Silva. A opção por uma arte abstrata teve como principal objetivo

instigar o público a pensar num Frankenstein diferente daquele do cinema de

terror, apontando antes para o sentido profundamente existencial do livro de

Mary Shelley. Ou seja: queríamos fugir das letras góticas, do verde, dos parafusos

no pescoço, da testa alta cheia de cicatrizes.


O ponto de partida de Celso foi um cubo no espaço (representando, para ele, a

solidão da criatura). Depois, esse cubo gerou um segundo, menor e deslocado

(criador e criatura, novo ser feito “à imagem e semelhança” mas que, de certo

modo, promove desencontro e descentramento). O raio que os atravessa é a

eletricidade que dá corpo à criatura – aqui estilizado quase ao ponto de se

transformar numa agulha: a agulha que costura as diversas partes, agulha que

pode furar-ferir ou costurar-criar.


As cores são importantes: temos o branco do gelo e da neve (a obra começa e

termina no Polo Norte), o negro do sombrio e do misterioso, o vermelho do

sangue, o amarelo da criação. Mas mais importante que isso, essas cores

remetem às quatro fases descritas pela alquimia, conhecimento fundamental

para que Victor Frankenstein dê vida à sua criatura (a medicina tradicional não

lhe é suficiente para alcançar seus objetivos: ele lança mão da alquimia e, tal qual

o Fausto de Goethe, também da magia). Na alquimia, a obra (o Opus

Alchemicum) passa por quatro estágios ou operações: NIGREDO (ou operação

negra), ALBEDO (ou operação branca), CITRINITAS (ou operação amarela) e

finalmente RUBEDO (ou operação vermelha). Criação, transformação,

nascimento e morte: vida.


Por fim, a linguagem abstrata também nos remete ao estilo escolhido para esta

montagem: um estilo moderno e não tradicional. Mesmo que a história descrita

por Mary Shelley esteja ambientada entre final do século XVIII e início do século

XIX, optamos por cenografia e figurinos que não fixam nenhuma temporalidade

específica: ficamos no campo da fábula, do mítico, do onírico.


Alberto Heller

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Informações: 48 3233 2324 | producaofrankenstein@gmail.com

© Ópera Frankenstein | arte gráfica Celso Silva da Silva | projeto gráfico do site Mariana Barardi | 2018