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  • Alberto Heller

Frankenstein e sua criatura: os duplos


Ao pensar no nome Frankenstein, invariavelmente somos remetidos à imagem

icônica de Boris Karloff com parafusos no pescoço. Na verdade, em momento

algum do livro de Mary Shelley a Criatura recebe um nome – e isso diz muito

sobre seus conflitos existenciais e sua busca por uma identidade (quem sou? de

onde vim? quem me criou? qual o meu propósito? por que fui abandonado por

aquele que me criou? tenho um pai? de quem sou semelhante?). A confusão de

nomes entre o criador – Victor Frankenstein – e sua criatura é um ato falho

significativo e da maior relevância, e nos remete a um dos temas mais caros ao

Romantismo do século XIX: o duplo. Mary Shelley explora essa duplicidade em

quase todos os personagens do livro, criando ambiguidades riquíssimas – e aqui

ela se faz tributária da literatura fantástica: o gosto pelo imaginativo, o

fantasioso, o curioso, o assustador. Se o Iluminismo se interessou pelas luzes da

razão, o Romantismo olhou para as sombras, para a noite, para aquilo que estaria

além ou aquém do alcance dessas luzes: as fronteiras tênues entre imaginação e

realidade, sonho e vigília, eu e não-eu – questões que, desde Hamlet, também nos

remetem ao delírio, à loucura, à possível perda da sanidade. Viver é estar imerso

nesses conflitos, nessas dúvidas – e a Criatura está viva: pergunta, questiona,

sofre. Assim como seu criador. Buscam-se um no outro, espelham-se um no

outro, desejam e ao mesmo tempo temem um ao outro; atraem-se e repelem-se,

amam-se e odeiam-se, pedem e negam, dão vida e destroem. Perseguem-se até o

Polo Norte: a busca pelo encontro, o encontro impossível.

Na ópera-rock FRANKENSTEIN Victor será interpretado por Rodrigo “Gnomo”

Matos, e a Criatura por Alírio Netto. Dois grandes cantores dando vida a dois

grandes personagens.

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Informações: 48 3233 2324 | producaofrankenstein@gmail.com

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