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  • Alberto Heller

Apresentação




Quando, há alguns anos, o maestro Jeferson Della Rocca me sugeriu a composição

de uma obra que mesclasse ópera e rock, confesso que não me veio de imediato

nenhuma ideia. Mas ela foi se formando e amadurecendo, e no final de 2016

finalmente senti que encontrara a linguagem e o estilo apropriados para essa

obra. Mas qual tema escolher? Após meses de muita pesquisa, finalmente me

decidi: FRANKENSTEIN, da escritora britânica Mary Shelley. Essa decisão se deu

a partir do LIVRO, não de suas muitas adaptações cinematográficas, que

invariavelmente tendem ao gênero do terror. Quem já leu o original sabe: não se

trata disso. O romance de Shelley é antes de tudo um drama existencial, uma

tragédia no sentido mais profundo do termo.

Durante os primeiros meses de 2017 me dediquei à escrita do libreto, e os meses

subsequentes à composição. A obra que ao final surgiu é uma ópera-rock em dois

atos para solistas, coro masculino, banda e orquestra sinfônica, com duas horas

de duração (cantada em inglês e com legendas em português – aproveitando

assim a sonoridade de língua na qual a história foi originalmente pensada e

escrita). Dado seu estilo e características musicais, a composição se aproxima

muito mais da ópera clássica que do musical; a orquestração é densa, e o

elemento rock não diminui em nada sua altíssima carga dramática.

Para minha felicidade, conseguimos reunir um elenco de estrelas: Alírio Netto

(Criatura), Rodrigo “Gnomo” Matos (Victor Frankenstein), Carla Domingues

(Elizabeth), Masami Ganev (Justine), Alexei Leão (Capitão Robert Walton), Daniel

Galvão (Henry), Claudia Ondrusek (Agatha); direção musical de Jeferson Della

Rocca, direção cênica de Renato Turnes, figurinos de José Alfredo Beirão,

cenários de Sandro Clemes, iluminação de Hedra Rockenbach, produção de Maria

Elita Pereira, direção artística minha (Alberto Heller) – numa realização da

Camerata Florianópolis.

Uma feliz coincidência: neste ano de 2018 o livro de Mary Shelley comemora

exatos 200 anos desde sua publicação. E seus temas continuam absolutamente

atuais: a relação complexa entre criador e criatura, os limites éticos nas

pesquisas científicas (discussão que se estende desde a clonagem até as células-

tronco, passando ainda pela robótica e pela inteligência artificial), as

ambiguidades e os conflitos da natureza humana, o sentido da existência (quem

somos, de onde viemos, para onde vamos), a relatividade do bem e do mal, o

mistério da vida e da morte, as dificuldades frente à diferença e à alteridade.

Uma fábula atemporal, profunda e comovente.

A estreia será em Florianópolis em junho de 2018 (27, 28 e 29 de junho no

Teatro do CIC). Esperamos vocês lá!

Alberto Heller


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Informações: 48 3233 2324 | producaofrankenstein@gmail.com

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